Entrevista com a autoraVera Saboya criou mais do que uma marca de qualidade. O Ateliê Culinário se transformou em um daqueles estabelecimentos charmosos que têm a cara do Rio de Janeiro. A casa ganhou fama, primeiro por causa do inovador bufê, depois, pela elegante loja da Rua Dias Ferreira, no Leblon. Hoje, virou um sistema de franquias que se expande por cinemas e livrarias. A fórmula do sucesso, as receitas e histórias da casa estão reunidas em Ateliê Culinário para viagem. Vera falou sobre a preparação do livro na entrevista abaixo. Leia e saiba mais!
Como foi selecionar o material para o livro? Lembrar de todas as histórias da marca desde o início, reunir as receitas, preparar o guia?
Não sou escritora e o livro não partiu propriamente de uma seleção de material ou mesmo da organização de textos já escritos. Quando Mariana Zahar me convidou para fazer o livro de receitas do Ateliê Culinário, pediu que eu escrevesse uma introdução e, ao fazê-lo, muitos acontecimentos e reflexões surgiram espontaneamente no texto. As receitas foram escolhidas a partir dos temas das crônicas. Esta parte do livro deu muito trabalho, pois escrever receitas para um público supostamente leigo é muito diferente de escrever para uma equipe profissional. Foram muitas mudanças.
O livro reflete o cuidado que você tem com sua marca: as receitas são detalhadas e trazem dicas dos melhores ingredientes, as crônicas estão recheadas de dicas para quem sonha em trilhar um caminho parecido, o guia com os lugares é detalhadamente descrito e parece preparado para um amigo que vai viajar. Houve esta preocupação em mostrar todo o carinho e a amizade presentes na história da casa? Mostrar que mesmo hoje a marca ainda é cuidadosamente trabalhada?
Os melhores ingredientes são frescos, sem aditivos e considero um luxo hoje poder usar o tipo de matéria prima que buscamos para os nossos produtos: manteiga de boa qualidade, creme de leite fresco, chocolate sem mistura de hidrogenado, folhas sem agrotóxicos... Isso estabelece um custo alto para os produtos, o que é uma pena. Mas vejo cada vez mais as pessoas preocupadas com a procedência dos alimentos. As crônicas são para mim uma longa conversa. Gosto de conversar, gosto de prosear... Foram escritas com muito prazer, sem muito pudor ou pretensão. Não sei se a parte das crônicas vai interessar às pessoas. É engraçado pensar que desconhecidos, ao comprar o livro por causa das receitas, terão contato com a história mais íntima do Ateliê.
Engraçado você falar que o pequeno guia foi preparado para um amigo... Foi mesmo. Meus amigos costumam me perguntar sobre dicas de bistrôs, cafés, passeios e museus, quando vão viajar. Sabem que eu gosto muito de viajar e que gosto muito de arte. O guia é a união de várias dicas que, de fato, foram endereçadas aos meus amigos. Por isso, não é um guia do melhor de cada cidade, mas um guia do "por onde ando" quando quero pesquisar, me divertir ou passear.
Como foi a seleção das receitas do livro? Você optou pelas mais marcantes, pelos clássicos da casa?
As receitas foram escolhidas seguindo diferentes critérios. Elas têm uma relação com a própria organização do livro, crônicas de diferentes temas: festas, almoços com amigos, cozinha em casa com as crianças... Algumas já foram realmente muito apreciadas em nosso bufê e em nossos cafés, mas outras não são tão conhecidas de nosso público. A autoria das receitas é muito variada. Foram testadas, modificadas e elaboradas por mim, por minha ex-sócia, Leticia Monte, pelos chefs de cozinha que passaram pelo Ateliê, pelos funcionários e clientes que sugeriram modificações, por amigos, ou seja, as receitas são um patrimônio que, embora contido no Ateliê Culinário, surgiram de muitas mentes e mãos.
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