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Detalhes:
Brochura
13,6 x 21 cm
216pp
R$ 34,00

Data de Lançamento:
22/2/2008

ISBN:
978-85-378-0058-4

Tradução:
Cristiano Botafogo


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Para que serve tudo isso?
A filosofia e o sentido da vida, de Platão a Monty Python

Em algum momento da vida, todo mundo se pergunda: para que serve tudo isso?

Sartre

“Sartre explica isso fazendo uma analogia com o corta-papel. Esse objeto tem uma ‘essência’, visto que foi criado por alguém para exercer uma certa função. Uma pedra lascada, porém, não tem essência, apesar de também poder ser usada para cortar papel. Apenas acontece, por acaso, que os seres humanos tenham encontrado uma função para ela. O que Sartre quer dizer é que nós presumimos que somos como o corta-papel e não a pedra lascada. Acreditamos ter uma essência, porque achamos que Deus nos criou com um propósito em mente. Mas se Deus não existir e a teoria naturalista estiver certa, então isso tudo é mentira. Desse modo, nós somos pedaços de pedra lascada que simplesmente são. Nós até podemos encontrar um sentido para nós mesmos e para nossos semelhantes, mas esse sentido não pode ser extraído da nossa essência natural. E se o naturalismo estiver certo, essa observação vale para todo o universo e para tudo o que nele existe.(...) Essa é mais ou menos a linha de pensamento de Sartre. Para Sartre, a coisa mais importante a reconhecer é que, como o propósito e o sentido da vida humana não vêm nela embutidos, nós somos os responsáveis por determiná-los. Isso não quer dizer que a vida não tenha sentido, mas que ela não tem um sentido predeterminado.” (Baggini, p.17)

Kierkegaard

“A análise que Kierkegaard faz do problema é mais atraente do que a solução apresentada, por uma série de razões. Ele defende que não há nenhum motivo racional para darmos o salto de fé: o ímpeto necessário só pode vir de um compromisso anterior. O próprio Kierkegaard entendia seu projeto intelectual com uma abordagem da questão ‘como tornar-se um verdadeiro cristão?’. Então, a não ser que já tenhamos a fé cristã, não há nenhum bom motivo para adotá-la – isso de acordo com as idéias do próprio Kierkegaard. Para qualquer investigação iniciada sem compromisso religioso prévio (como esta que você tem em mãos), abraçar a contradição presente na idéia de um Deus que se fez homem não possui grandes méritos.

Mesmo assim, a análise de Kierkegaard sobre a condição humana pode iluminar um pouco a questão de uma vida voltada para cumprir objetivos. O problema desse tipo de vida é que sua razão de ser está em um objetivo necessariamente ligado a um período de tempo determinado. Isso reflete a natureza estética da vida humana. Estamos presos ao presente, e esperamos que parte do sentido da vida reflita isso. Contudo, também existimos através do tempo, e quando o objeto de nossas vidas está fixado em momentos que são presentes apenas por um breve instante, não estamos fazendo jus à natureza mais duradoura da vida humana.” (Baggini, p. 37)

Camus

“Outro motivo é que não está claro como a duração da vida afeta o seu sentido. Uma quantidade maior de algo valioso é ainda mais valioso, mas se algo não tem valor, aumentar sua quantidade não o torna valioso. A vida eterna poderia ser a que faz menos sentido. Para que fazer algo hoje se poderíamos facilmente fazê-lo amanhã? Como Albert Camus escreve em A peste: “A ordem do mundo é dada pela morte.” O fato de que morremos um dia é o que nos dá ímpeto.” (Baggini, p.59)

Madre Teresa de Calcutá

“Muitas pessoas acham que suas vidas teriam sentido se ajudassem os outros. Madre Teresa de Calcutá, por exemplo, disse: ‘Eu dormi e sonhei que na vida tudo é alegria. Acordei e vi que a vida é dedicação aos outros. Eu me dediquei a eles e vi que essa dedicação é alegria.’” (Baggini, p.64)

Schopenhauer

“Schopenhauer escreveu: ‘A felicidade é a repetição constante do prazer.’ A maioria dos filósofos, entretanto, faz algum tipo de distinção entre o prazer (estado temporário de excitação ou de alegria) e a felicidade (condição mais duradoura). Dessa forma, o prazer de saborear uma boa comida dura somente até o fim da refeição, enquanto a felicidade de uma pessoa satisfeita permanece mesmo quando ela não está fazendo nada. Faz sentido olhar para alguém dormindo e dizer: ‘Ali está uma pessoa feliz.’ Contudo, geralmente, não faz sentido dizer: ‘Ali está alguém experimentando uma sensação de prazer.’ A felicidade, portanto, é um pano de fundo, ao passo que o prazer, fugidio, se dá no proscênio da nossa experiência.” (Baggini, p.94)

Descartes

“Quando Descartes decidiu se dedicar a descobrir que verdades seriam indubitáveis, ele acabou com apenas uma: a de que ele era uma coisa que existia e pensava. Em seu Discurso sobre o método, escreveu: ‘Eu notei que esta verdade, ‘penso, logo existo’, era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo.’” (Baggini, p.149)



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