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Será que Grimble vai conseguir salvar o Natal?

24 de Dezembro de 2015

Grimble é um menino comum, com pais avoados e maluquinhos. Não é todo menino que volta da escola para uma casa vazia de gente e cheia de bilhetinhos dos pais, por exemplo escrito em caneta verde num biscoito, dizendo "Não coma esse biscoito porque comer tinta verde não faz bem para você". E agora, que é Natal? Será que os pais de Grimble vão se lembrar de comemorar essa data especial? 

Escritos por Clement Freud, o versátil neto de Sigmund Freud, e ilustrados pelo genial Quentin Blake, premiado com o Hans Christian AndersenGrimble e Grimble no Natal são histórias engraçadíssimas, imperdíveis e um sucesso há várias gerações!

Ficou curioso para saber o que Grimble fez para salvar o Natal? Leia um trecho!

" Os pais de Grimble eram muito esquecidos. Às vezes isso era meio chato, mas ter pai e mãe esquecidos também tinha suas vantagens. Por exemplo, ele tinha um horário de dormir  melhor que a maioria das crianças. Frequentemente, ia ao quarto do pai dizer:

– Estou indo para a cama; é meia-noite.

E o pai respondia “Não precisa esperar por mim”ou “Iquique é a única cidade com dois Qs que eu conheço!” Na maior parte do ano, Grimble – Grimble era seu nome completo, pois seus pais tinham se esquecido de lhe dar outros nomes – achava bacana ter pai e mãe tão diferentes dos das outras crianças na escola, mas quando chegava o Natal as desvantagens eram bem claras.

Grimble só tinha mais dois dias de aula antes das férias de fim de ano, e seus pais andavam por aí como se fosse meio de fevereiro ou fim de agosto; de qualquer forma, não tinha nada de especial no jeito como andavam por aí. As vitrines das lojas na Rua Alta estavam decoradas com luzes e Papais Noéis e presentes embrulhados e uma grande placa dizendo SÓ MAIS SETE DIAS DE COMPRAS ATÉ O NATAL, e toda noite trocavam o número de dias até o 25… era tudo muito empolgante.

E a mãe de Grimble saía com uma sacolona de compras – e voltava com uma couve e setecentos gramas de filés de bacalhau. Longe de mim ofender os filés de bacalhau. Não há nada de errado com eles, mas não deixam ninguém arrepiado de emoção. Bom, não deixavam

Grimble arrepiado de emoção. Grimble tinha um amigo chamado David Sebastian Waghorn, cuja mãe dissera:

– Vamos ter peru frio no dia 26.

Que é mais ou menos a mesma coisa que dizer: “No dia de Natal, vamos ter peru assado quente com recheio e molho e salsichas e bacon e batatas assadas e couve-de-bruxelas.” Grimble esperava ansiosamente que a sra. Grimble desse alguma pista assim. Na noite

anterior ela dissera:

– Você pôs a gata para fora?

E Grimble respondeu:

– Nós não temos uma gata.

E a sra. Grimble completou:

– Céus, tampouco temos, não se esqueça de deixar um pires de leite para ela.

Grimble observava os pais cuidadosamente, tentando encontrar qualquer sinal de que pudessem ter se lembrado do porquê de suas férias e de quando elas começariam, e que tipo de presentes ele iria ganhar se fosse ganhar presentes. Ele se esforçava em dar dicas bem-educadas porque era terrivelmente importante para ele que o Natal fosse… hmm… completo.

Uma noite, deixou cair vários raminhos de pinheiro no tapete… mas como ninguém notou nem disse nada, e como Grimble era muito organizado, ele pegou uma pá, uma vassourinha e as varreu de volta uns dois dias depois.

Também tentou cantarolar “Noite Feliz”… mm mmmmmmmm mm mmmmmm m, mas não cantarolou muito bem, e seu pai, pensando que era o hino nacional, levantou-se e, quando Grimble terminou, desligou a televisão e foi para a cama.

Então treinou um pouco mais. David Sebastian Waghorn tinha uma piada sobre cantarolar.

– Você sabe por que os passarinhos cantarolam? Porque não sabem a letra.

Grimble achava David Sebastian Waghorn um garoto bastante engraçado.

No dia anterior, o sr. Grimble chegou em casa com um grande pacote quadrado, e Grimble, sabendo que não era educado ser abertamente curioso, entrou na cozinha e viu seu pai levar o embrulho até o escritório pela porta entreaberta. Parecia que podia ser uma bicicleta

desmontada, ou uma grande pipa numa caixa, ou talvez um novo tipo de fogão. Naquela noite, seu pai disse:

– Venha até o escritório para ver o que tenho no meu embrulho. É um banquinho para os pés, dei de presente para mim mesmo…

E Grimble cerrou os dentes e disse:

– Agora você pode se reclinar na sua cadeira sem nem ter que dobrar as pernas.

Seu pai deliciou-se com o fato de Grimble entender tão rápido o conceito do banquinho para os pés e mostrou-lhe onde Iquique ficava no globo terrestre… lá pela metade da América do Sul, do lado esquerdo.

– Você acha que vai ganhar mais alguma coisa nesse Natal… além dos meus presentes…? – perguntou ele ao pai como quem não quer nada.

– Um monte de clima – respondeu o pai, que acabara de achar Birmingham no globo.

Quando Grimble foi para a cama naquela noite, começou a pensar muito seriamente sobre o Natal. Era uma festa e um dia para se comer comidas interessantes e dar presentes e ganhar presentes – alguém tinha lhe dito que era mais abençoado fazer uma coisa do que a outra, mas ele sempre esquecia qual delas. Mas a razão pela qual as crianças esperam que os pais façam coisas para elas no Natal é porque pais são mais organizados que crianças e pais têm mais dinheiro que crianças.

No caso de Grimble, era só parcialmente verdade. Seus pais não eram nem de longe tão organizados quanto ele; eles sempre se esqueciam de levantar de manhã e às vezes se esqueciam de ir para cama por dias a fio e nunca sabiam que horas eram.

 

Mas eles tinham mais dinheiro… ou Grimble esperava que tivessem, porque ele só tinha dezenove centavos e uma moeda irlandesa de cinco centavos. Deitado na cama, ele treinava seu mmmmm mm e refletia: se a pessoa fosse muito bem-organizada, como ele era – pasta da escola arrumada; dever de casa feito; pasta de dentes espremida na escova; gravata com o nó feito e aberto o bastante para passar pela cabeça; laços amarrados para que ele pudesse pisar nos sapatos e remexê-los até que os calcanhares entrassem… –, enfim, se alguém fosse muito bem-organizado, não deveria ser tão difícil para essa pessoa ganhar dinheiro… e se ele tivesse dinheiro, poderia dar um jeito na comemoração de Natal da família."

 

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